Qualquer dia antes de morrer...

quarta-feira, julho 20, 2005

Crónicas de um Rei sem trono.

Capítulo I

Das provações, o caminho mais longo é sempre aquele que leva mais tempo a percorrer, muitas vezes é o mais curto.

Começava o dia a clarear, bem no alto junto ao cume, um raio de sol trespassava a neve que teimosamente ainda se mantinha debaixo do calor estival.
As árvores frondosas da alameda, sussurrantes e plácidas, argumentavam com o barulho da cascata que se ouvia intermitente. O caminho, de terra batida, ainda húmida dos últimos invernos, enxameava-se de verde rasteiro, pontilhado aqui ou ali por pequenas flores que teimosamente desabrochavam.
O trote do burro, ressoava oco e pesado, abafado pelos sons dos poucos pássaros que já começavam a constituir a sua prole.
O homem que seguia o burro, acicatava-o de vez em quando pelo espanejar de uma pequena vara apanhada sem escolha à beira do caminho. O suor que lhe escorria das têmporas indicava que se encontrava à muito a percorrer aquele trilho. De vez em quando por cima do ombro, mandava uma remirada rápida, para trás, aproveitava para azougar o burro novamente, como se fosse seguido por almas de outro mundo.
Lá ao longe retiniam sinos de alarme, trazidos no meio de um turbilhão que adivinhavam desgraças. O nosso homem, tez retesada pelo medo, alargava o passo e obrigava o animal que o procedia a fazer o mesmo.
Desembocaram numa clareira larga, onde o caminho se entrecortava com outros três, no meio, uma velha cruz celta de madeira, entalhada a ferro, cheia de símbolos rúnicos de protecção aos viajantes, encimava um montículo, mesmo no meio do cruzamento. Junto à cruz um vulto baixo e atarracado, vestes escuras e esfarrapadas, um capuz mal posto que descobria uns cabelos negros e brilhantes.
Um cinto largo de pele curtida e dura, enxameado de pequenos anéis brilhantes, serviam de aconchego a uma adaga larga e de lâmina dupla. Quando o homem do burro se aproximou, o vulto levantou-se sem pressas, mais alto, agora que o nosso homem do burro, que refreou o passo e aumentou o semblante ríspido.
O acenar do estrangeiro, e o sorriso que lhe elevou no rosto, acalmou a tensão, os bons dias dados em gaélico pelo estrangeiro e gesto universal de paz, descansaram finalmente o dono do burro que respondeu mais cordial.
- Bom dia estrangeiro…
- Bom dia bom homem, desculpa se te assustei…
- Nestes tempos de escuridão, somos desconfiados. Nestas estradas acontecem coisas terríveis. Eu apenas transporto mantimentos para a minha pobre aldeia…
- Bem sei, mais uma vez as minhas sinceras desculpas, mas fiquei sem montada -apontou em direcção a poente – o meu cavalo foi abatido por covardes…
Sem pressas, mostrou a sela arrancada ao animal, e bem cravada no couro ainda uma flecha, escura e rematadas com penas de corvo.
O calar dos pássaros e o esgar de horror que se entranhava no seu rosto foi apenas cortado pelo som abafado de cascos que se ouviam, nem tiveram tempo para apresentações.
Rapidamente, sem lhe dar tempo para se recompor, o cavaleiro, agarrou na sela, empurrou o bufarinheiro sem cerimónias, puxou o burro pela arreata para fora do caminho.
Aproveitou uns arbustos que ladeavam a clareira para se esconder juntamente com os seus actuais companheiros. Apenas se preocupou com o burro, tapo-lhe os olhos com um bocado da sua capa e com a outra mão as narinas do quadrúpede, não queria que ele começasse a emitir sons ao sentir o cheiro de alguns primos. O dono do burro, inerte, quase imóvel, dificilmente se manifestaria.
Esperaram pouco tempo e por entre uma fresta dos arbustos, viu seis cavaleiros, de cotas brilhantes e espadas embainhadas, a desembocar na clareira. Não traziam estandartes, os cavalos, foram espicaçados sem cerimónia e como se já de antemão soubessem as suas direcções, dividiram-se em três grupos de dois e sairam à desfilada, pelos outros caminhos da bifurcação.
Quando já não se ouviam os sons dos cascos, o bufarinheiro, mais senhor de si, comentou:
- Pareciam que vinham com uma missão. Pouco vi, mas pareciam cavaleiros de Lord Almerdamm. Cavaleiro…
A ponta de interrogação, e o tom cerimonioso do bufarinheiro, trouxeram à realidade a falta de apresentações, tão abruptamente interrompidas:
- O meu nome é McClaymore, e o teu, bom homem?
- Bufarinheiro Clarence, ao seu serviço Senhor. O vosso nome é estranho por estas paragens, lamento a vossa montada. Quereis colocar a vossa sela em cima do meu pobre “Pedro”? Ou o vosso caminho é diferente do meu?
- Não Clarence, vou aproveitar a tua nobre oferta e acompanhar-te à tua aldeia. Espero que por lá haja algum cavalo disponível?
- Não sei Senhor. Antes de partir há duas semanas, havia alguns. Tereis que perguntar ao forjador, ele é que normalmente tem alguns, que troca ou vende, conforme a s necessidades. Também precisais de outra arma, essa adaga é pouca coisa para enfrentar alguns perigos destas estradas.
O gesto brusco do cavaleiro e o seu semblante pesado, enquanto acariciava o cabo da arma, assustou mais uma vez Clarence. O cavaleiro, apercebeu-se, deixou cair uma ponta da andrajosa capa sobre a adaga e murmurou num tom ameaçador:
- Sim esta já tem dono…
E numa voz mais clara, retorquiu:
- Tens toda a razão, bem preciso de uma. Mas preocupemo-nos agora em chegar à tua aldeia. O sol já passou o cume da montanha, espero que não fique longe.
- Ainda é longe, se apressarmos o passo e se o “Pedro” não se importar de levar mais a vossa sela, quando o sol já não estiver tão alto, deveremos estar a chegar. Faremos apenas uma pequena pausa para comermos, se não vos importardes de partilhar a minha pobre refeição?
- Obrigado bom homem, o meu bornal ficou pelo caminho – e num rasgado sorriso, acrescentou – também já não tinha muita coisa por onde escolher.
Aproveitando a deixa o bufarinheiro, depois de verificar se a sela estava bem acondicionada, retomou o caminho, o burro à frente, ele atrás, o cavaleiro a um passo.
- Julgo que ainda não me disseste porque ficaste tão aterrorizado com a flecha da minha sela, Clarence?
Enquanto admoestava o passo do burro, e alargava o seu, como se pressentisse perigo, o bufarinheiro respondeu, num tom mais baixo que o habitual:
- É uma história longa Senhor, e algumas partes nem eu sei se são verdadeiras…
- O caminho é longo, vamos ter tempo de a ouvir.
- Como quiserdes. Eu vou tentar ser claro. E se por acaso ficardes confuso, tentarei explicar as partes que não compreenderes.

Da procura, nem sempre encontramos aquilo que queremos, é tudo uma questão de paciência, até que a solução nos venha para às mãos.

- Ninguém sabe como começou, mas ainda nos tempos dos antigos, quando eles mandavam por estas terras, começaram a chegar notícias sobre o que se passava para além das montanhas de Idich. Ao princípio eram notícias sobre um grupo de guerreiros nómadas que eram comandados por um chefe feroz. Por onde passavam, queimavam, pilhavam e violavam. As terras que iam conquistando eram logo tomadas pelos que os seguiam. Para cá das montanhas, nenhum senhor lhes deu a devida importância. Para conseguirem passar para o lado de cá ainda deveriam levar muitas eras, pensavam eles. O tamanho das montanhas e os seus abismos, também deveria ser um obstáculo e só quem soubesse o segredo da passagem é que se poderia atrever a percorrer os seus segredos. Não sabemos como, nem quem. Uns dizem que foi traição, outros que foi arrancada debaixo de tortura. Mas em suma, coisa é certa, à cerca de um ano, foram aparecendo grupos de guerreiros que se embrenham nas florestas, assaltam os viajantes e só uma boa escolta garante a segurança. Alguém ensinou o caminho aos Saurcans e aos poucos foram invadido estas terras. Dizem que são a guarda avançada dos que os esperam do lado de lá das montanhas e que só estão à espreita de uma boa oportunidade para se instalarem definitivamente. Por cá os grandes senhores não se entendem, continuam firmemente a guerrear-se entre eles, sem se importarem com o que se passa do lado de lá. A guarda avançada dos guerreiros tem feito muitos estragos, mas acho que os maiores são feitos pelos senhores que se guerreiam entre eles. A minha aldeia está nas terras do Senhor de Laertum, pagamos os nossos impostos, mas ele não nos garante as nossas vidas. Já não sei se é melhor viver sobre o jugo de estrangeiros do que viver a pagar com os nossos melhores homens, os nossos cereais, as nossas espadas e lanças. Muitos já se perguntam, se não seria preferível que os que aguardam do lado de lá para nos invadir, que o fizessem já. É terrível viver nesta situação. Os nossos recursos são cada vez mais escassos, o sal que levo no meu burro, seria bem mais barato e de melhor qualidade. Agora pagamos dez vezes mais do que pagaríamos à meses atrás.
O caminho foi-se alargando, a alameda frondosa foi substituída aos poucos por arvores mais baixas e mais esparsas, entravam agora num vale amplo cortado apenas ao longe por uma ponta de um rio que aparecia de vez em quando batido pelos raios de sol, que abrasavam cada vez mais. O caminho agora mais largo, era mais irregular e bem mais duro. Aos poucos, quando se aproximavam do rio, iam-se ouvido o grasnar dos patos. A paisagem expandia-se pelo horizonte, os sons dos sinos aos poucos foi ficando cada vez mais para trás, cada vez mais distantes.
- Clarence, sabes dizer-me porque repicavam os sinos com tanta intensidade?
- Não sei dizer Senhor, as gentes da ultima aldeia por onde passei, estavam agitadas e com ar de poucos amigos. Mesmo sendo uma visita regular, agora os senhores que a governam, os de Cahir, são inimigos de Laertum, pelo que mesmo eu, um inofensivo bufarinheiro sou considerado inimigo. Mas não é difícil de adivinhar a causa de tanta agitação, deveriam estar à espera de algum mensageiro e de recrutadores para os exércitos. Aqueles soldados que nos iam surpreendendo, deveriam pertencer à escolta. Estavam decerteza a vasculhar as redondezas para se certificarem que nenhum homem válido escapa aos seus deveres. Se nos tivessem encontrado certamente agora estávamos a fazer o caminho em direcção à aldeia e mesmo contra a nossa vontade iríamos preencher as fileiras de Cahir. Ainda não vos agradeci por isso. Mas aceitai as minhas sinceras desculpas e a minha gratidão. Os meus filhos e a minha mulher dificilmente me veriam tão depressa.
- Não precisas de me agradecer. Eu estaria nas mesma situação do que tu. A minha pele teria tanto valor do que a tua. A tua refeição e a tua ajuda a chegar á tua aldeia, são recompensas suficientes.
- Vou dizer ao Mestre Ollin para vos arranjar um cavalo e uma espada, pelo menos serão de melhor qualidade do que aquelas que ele normalmente vende a incautos.
- Obrigado, e o resto da tua história?
- Eu continuo, deixai-me tomar um pouco de fôlego. Estamos a aproximarmo-nos da curva do rio de onde poderemos ver a ponte que temos que atravessar, é já ali adiante, mesmo junto aqueles choupos.
Foram encurtando a distância, aos poucos sentia-se a humidade do rio e nas suas margens, começava-se a ouvir cantar das rãs que se escondiam no lodo e nos canaviais espessos. Uma garça, voava rente à água e fazia calar as rãs, ouvia-se o murmurar do rio, de vez em quando um tronco, tombado seguia na esteira da corrente, os ramos flácidos pareciam braços num último esforço para não serem submersos.
Lá ao longe a muita distância uma coluna de fumo, escura, eleva-se em espirais negras.
- Sarilhos ou desgraças – comentou Clarence.
- Sabes de onde vem, aquele fumo?
- Além só pode ser nas terras de Celtius, provavelmente um ataque de uma horda de Saurcans, por ali fica a aldeia de Marginus, mau prenúncio, mas fica longe da minha. Costumava ir lá com os meus pais. Começaram aí os meus dias de bufarinheiro. Quando chegarmos à minha aldeia, teremos notícias decerteza.
O ar ainda mais preocupado de Clarence, não de molde a deixar o cavaleiro descansado. Dificilmente se fossem atacados teriam com que se defender, a coragem, ou a falta dela, do homem do burro também não seriam de grande ajuda. A adaga, não serviria de grande coisa contra machados e espadas. Alargou o passo, ultrapassando o homem e o burro. Da trilha, por entre os choupos começava a vislumbrar-se a ponte, aquela distância parecia intacta. As traves de madeira que se entronavam no rio pelo menos assim pareciam. O restante, tirando aqui e ali uma falha, também parecia em bom estado. No entanto, parecia um bom sítio para se montar uma emboscada. Teriam que se aproximar com cuidado e arriscar. Mas antes o melhor seria fazer um reconhecimento prévio. Estava farto de surpresas desagradáveis.

Da incompreensão, quem descobriu que o mundo era redondo, devia-o ter guardado para si. Alguns na sua infinita ignorância julgam que o percorreram, quando se limitaram a ficar no mesmo lugar. A única coisa que se moveu foi a sua sombra e nem por isso eles deram conta, enquanto estavam a olhar para o próprio umbigo.

Forma aproximando-se do rio, o burro, ignorando as ordens do dono precipitou-se para a água. Os homens não se fizeram rogados e aproveitaram a sede do burro para também usufruírem um pouco da frescura das margens. Beberam também, rápidamente, sempre de soslaio. Nos tempos que corriam, voltar as costas ao perigo era uma atitude insensata, mesmo em campo aberto.
Depois de refreada a secura, retomaram rapidamente o caminho. O burro agora mais satisfeito nem precisa de ser admoestado. O caminho tortuoso e duro, aproximava-se lentamente da ponte. Podiam agora ver-se mais nitidamente os bocados das anteparas, soltas e mal mantidas, a madeira podre deixava trespassar a luz por alguns buracos, oxalá as ripas que iam suportar o peso dos dois homens e o do burro, estivessem em melhores condições.
O bufarinheiro aproveitou para continuar a sua narrativa:
- Como eu ia dizendo Senhor, depois dos antigos desaparecerem, as suas terras foram divididas por cavaleiros e senhores que tomaram o poder à força ou por astúcia. Alguns dizem que se aproveitaram mesmo das hordas para levarem em frente os seus desígnios. Estas terras foram divididas e retalhadas, nem sempre com as melhores das intenções. Laertum, o reino onde pertence a minha pobre aldeia, outrora já dominou mais de um terço do mundo do lado de cá da montanha, mas o último Senhor, Lord Monteld, não tem a vontade suficiente para se impor. O seu espírito guerreiro também não é famoso, aos poucos foi trocando as armas pela harpa. Infelizmente isso não enche a barriga a ninguém e os conflitos nas nossas fronteiras são cada vez mais frequentes. Para agravar a nossa situação, não tem herdeiros directos, os dois filhos varões morreram em escaramuças sem sentido ao irem em socorro de interesses de primos distantes. Na corte perfilam-se vários candidatos, mas nenhum deles com muitos direitos. A única filha casou com um filho de Lord Jovick, senhor dos Ostram. Se o futuro rei não for nomeado rapidamente, antes da morte do velho Lord, teremos mais uma guerra entre nações. Os Ostram tentarão fazer valer os direitos de Milady Guern e se tal vier a acontecer, os nobres de Laertum, dividirão as suas forças dos que apoiam a nossa integração no reino de Lord Jovick e aqueles que não aceitarão que sejamos governados por outro povo. O futuro deste pobre reino está entregue à sorte, e a nossa não se apresenta risonha. Para ajudar à confusão corre a lenda de que um homem, estrangeiro, virá para reclamar o trono vazio, mas que trará com ele também guerra para unificar as Nações para lutar contra os Saurcans. Nós só pedimos que nos deixem levar a nossa simples vida, trabalhar as nossas terras e que os nossos filhos possam brincar em paz. Desculpai Senhor o meu desabafo, mas as nossas vidas não são fáceis…
- Hummm, o teu sentimento de revolta é natural. O teu Senhor poderia ter em conta os vossos anseios. Deveria ser melhor aconselhado, ou talvez nomear um bom sucessor. Compreendo a tua preocupação. Mas deverá ser a nossa de chegar inteiros à tua aldeia, não achas? A ponte que vamos atravessar é segura?
- A ponte é velha, mas suas madeiras são duras, a solidez das suas fundações também, não olhes para o aspecto geral. Ela vai decerteza puder connosco. Quanto à tua preocupação de chegarmos vivos à aldeia, tens razão, ainda nos falta isso, desculpai, as preocupações deste pobre bufarinheiro. Depois de atravessarmos a ponte, continuarei a minha história, pelo menos terá o condão de aliviar o meu temor.
A ponte aproximava-se a passos largos, os choupos e os plátanos aumentavam, o vento fazia balançar, sem muita força, os seus ramos que esbracejavam indolentes. O sol ainda mais alto batia forte, a paisagem soberba e a perfeição do quadro, apenas era obscurecida pela coluna de fumo que aumentava bem longe no horizonte, juntamente com os pensamentos e temores destes companheiros forçados de viagem.

Do conhecimento, todo o humano descobrirá que não é eterno.

Mais uma cruz, os mesmos símbolos rúnicos, bem antigos e ilegíveis, mas desta vez em pedra, muito velha, aqui e ali, o musgo verde cobria algumas fendas intemporais. Marcava uma encruzilhada que se bifurcava para este, por um caminho forrado por ervas altas e pelo matagal denso que o cobria, bem pouco concorrido, o trilho mal se vislumbrava. Em frente a continuação do que calcorreavam neste momento, a oeste, bem perto, a ponte.
A entrada, os dois pilares em pedra, com engastes em ferro, enferrujados pelas intempéries e pelo tempo. Um passadiço cujas lajes estavam polidas pelos cascos e pelo passajar das gentes. As ripas pareciam seguras, gastas, mas seguras.
- Mestre Clarence, acho que tinhas razão. Ao longe engana bem. Mas as amuradas precisam de uns bons reparos.
- Tendes razão, há muito tempo que ninguém se digna a pregar uma tábua nesta pobre ponte. Quando ela acabar o meu caminho vai ficar mais longo e bem mais perigoso. Se tivéssemos que ir em frente, teríamos que percorrer mais caminho, chegaríamos bem à noite à minha aldeia, as gentes e os senhores desta terra esqueceram-se ou não têm tempo para a reparar pontes. Para além disso esta é pouco usada. A insegurança, obriga a que cada vez menos as aldeias façam trocas entre si. Eu vou arriscando, é o meu sustento, mas muitas das vezes penso em abandonar a profissão, os perigos não compensam o lucro e ainda dou algum valor à minha vida.
O bater dos cascos do burro nas madeiras desgastadas, ecoava no rio, de tempos a tempos, nas velhas travessas que serviam de protecção, entrecortadas pelos apoios dos pilares, pousavam pequenas aves, ou guarda rios, que de um mergulho só, apanhavam pequenos peixes e levantavam voo a rasar as águas. O rio, de um azul averdiscado, deixava ver o fundo, e de quando em quando um peixe mais lustroso a reflectir o sol nas escamas, que de um pulo, apanhava um pequeno insecto descuidado, e em seguida num ápice, escondia-se temeroso no meio das pedras, quando as sombras dos homens e do burro se esbatiam no lodo.
- Se tivesse trazido uma cana e um anzol, aproveitávamos para fazer uma valente pescaria, vamos ter que nos contentar com carne seca, algum pão, algumas maças – Clarence bateu no odre que trazia a tiracolo – e se não tiverdes nojo de mim, bebereis um pouco deste vinho, dar-nos-á um pouco de alegria. De qualquer das maneiras, seria difícil cozinhar estes peixes, não é conveniente atear uma fogueira por estes lados. Se bem que o cheiro a queimado se entranhe por todo o lado, qualquer chama, ou pequeno fumo, serão vistos bem longe. Não precisamos de atrair mais convidados para a nossa refeição, para além disso, devemos sempre desconfiar das intenções de alguns…Claro que não estou a referir-me a vós Senhor.
- Tendes razão, e descansa que não me ofendi. Mas por falares nisso, o meu pobre estômago já fala comigo há um bom par de minutos. Com o meu encontro tive que adiar o meu pequeno almoço, é como tu dizes, alguns convidados, estragam qualquer refeição.
- Mais um pouco, no final da ponte, veremos umas ruínas em pedra, tentaremos fazer lá uma paragem, aproveito para aliviar o meu “Pedro” da carga por uns instantes e para ele se refastelar com a erva que cresce por aqueles lados, também tem direito à sua refeição.
- Ruínas? E que ruínas são essas, Clarence?
- São de um velho templo e de alguns casebres abandonados, eram dos druidas que habitavam estas terras. Há muitas eras atrás foram abandonadas, eram eles também que mantinham a ponte reparada. Um dia pura e simplesmente desaparecem, ninguém sabe como ou porquê. Dizem que foram mortos pelas hordas e que alguns dos seus fantasmas ainda vagueiam por aí.

sábado, abril 23, 2005

Sapómetro – Método linear de como deixar um cliente de cabelos em pé…

(Para proteger as pessoas a entidade, tanto da parte do SAPO, bem como dos utilizadores, depois de consultadas as Pedras, as Conchas e uma Cartomante, preferimos manter o anonimato das partes envolvidas, os nomes usados não são os reais e por favor se os factos relatados forem uma cópia indevida de algum episódio das vossas breves vidas, pedimos desde já as nossas desculpas pelo plágio).

I – Tentativa de contacto em 2º Grau.

DEDO DO CLIENTE SAPO - Bip, Bip, Bip ……….

ATENDEDOR SAPO - “Acabou de ligar para o número de assistência a clientes, se quiser saber mais sobre o nosso produto marque 1, se quiser saber mais sobre as nossas tarifas marque 2…se quiser…”

ATENDEDOR SAPO - “Por favor marque o seu número de telefone…”

DEDO DO CLIENTE SAPO - Pi, PiPi, Pipi,……

DEDO DO CLIENTE SAPO - Bip, Bip, Bip ……..

MARTA - “Daqui fala a Marta, em que posso ser útil?”

(Pensamento censuráveis do CLIENTE SAPO – “Gaita, devo de ter ligado para o Seguro Directo. Bem vou ter que tentar novamente”.)

CLIENTE SAPO - “Desculpe Marta mas preciso de falar com o vosso serviço técnico. Estou a tentar aceder à página de clientes da SAPO e todas as vezes que o faço o meu antivírus avisa-me da tentativa da entrada de um trojan…”

MARTA - “Lamento vai ter que marcar outro número e por favor quando ouvir a gravação marque o 5 para a assistência. O número é…”

CLIENTE SAPO - “Obrigado Marta.”

MARTA - “Obrigado por ter utilizado a PT…”

II – Nova tentativa de contacto em 2º Grau.

DEDO DO CLIENTE SAPO - Bip, Bip, Bip…

MARTA2 - “Boa tarde fala a Marta2, em que posso ser útil?”

(Pensamentos indecoros do CLIENTE SAPO – “Decididamente hoje não era o meu dia de sorte. Outra vez uma miúda a tentar ajudar-me a mudar um pneu”.)

CLIENTE SAPO - “Boa tarde queria apenas notificar os seus serviços técnicos que todas as vezes que tento entrar na página de clientes da SAPO o meu antivírus notifica que estou a sofrer a tentativa de entrada de um trojan.”

MARTA2 - “Qual o nome de cliente?”

CLIENTE SAPO - “CLIENTESAPO@SAPO”

MARTA2 - “Um momento enquanto falo com o meu supervisor…”

(Esta parte é obviamente invenção da mente perversa do CLIENTE SAPO – Parte I)

(em off) MARTA2 – “Ó Zé está aqui um maluco a dizer que tem um trojan. O que é isso?”

(em off) SUPERVISOR – “Olha lá mas agora que estamos a ver o filme no canal 18 é que tu me vens chatear, olha, diz a esse tipo que não sei o que é isso, nem quero saber…”

(em off) MARTA2 – “Mas Zé não é melhor eu dar a resposta 5 dos procedimentos técnicos?”

(em off) SUPERVISOR – “Essa não. O gajo ainda pode pensar que estamos a gozar com ele. Dá-lhe antes a resposta 10.”

(em off) MARTA2 – “Tá bem, já agora que filme é que estás a ver?”

(em off) SUPERVISOR – “Não sei, mas o gajo está quase a comer a gaja…”

(em off) MARTA2 – “Ah, estás a ver um filme sobre canibais…”

(Retomar a conversa de MARTA2 com CLIENTE SAPO).

MARTA2 - “CLIENTESAPO@SAPO, lamento mas o meu supervisor diz que não temos vírus nenhum, no nosso servidor.”

CLIENTE SAPO - “Marta2, agradeço que diga ao seu supervisor que tem e que o meu antivírus está constantemente a abrir uma janela a notificar-me de uma intrusão, o nome do vírus é: trojan.byteverify…”

MARTA2 - “Só mais um minuto por favor…”

(Invenção da mente perversa do CLIENTE SAPO – Parte II).

(em off) MARTA2 – “Zé o gajo não me larga e a resposta 10 não resultou.”

(em off) SUPERVISOR – “Porra um gajo não consegue ver um filme até ao fim…Agora que isto estava a ficar bom…”

(em off) MARTA2 – “Então isso é só sangue?”

(em off) SUPERVISOR – “Podes crer o gajo já comeu mais duas e ainda se está a preparar para terceira.”

(em off) MARTA2 – “Que horror e o gajo ainda não está cheio?”

(em off) SUPERVISOR – “Não isto ainda não acabou.”

(em off) MARTA2 – “Mas o que é que eu digo ao cliente?”

(em off) SUPERVISOR – “Olha diz-lhe para mandar um mail, assim quem o vai abrir é o gajo que me vai substituir e com sorte responde-lhe para a semana…”

(Retomar a conversa de MARTA2 com CLIENTE SAPO).

MARTA2 - “Obrigado por ter esperado, o meu supervisor disse que temos mais de 500.000 utilizadores e só o senhor é que se está a queixar da situação, apenas podemos concluir que o seu antivírus não está bom.”

CLIENTE SAPO - “Desculpe Marta2, a ultima actualização do antivírus foi cerca de duas horas atrás e apenas na abertura da vossa página de clientes SAPO me dá esta mensagem.”

MARTA2 - “Importa-se de mandar um mail a reportar a situação?”

CLIENTE SAPO - “Claro que sim Marta2, já agora vou aproveitar e mandar um “desenho” do ecrãn. Boa tarde…”

III – Tentativa de contacto em 3º Grau.

Envio do mail pelo CLIENTE SAPO.

P:S.: Prometemos voltar ao assunto logo que o SAPO responda ao mail...

Passadas 5 horas sobre o envio do mail aguardo pacientemente que me enviem o recibo que pedi, para me notificarem que o receberam...

terça-feira, abril 19, 2005

LINUX VS MICROSOFT.

“O melhor espelho da admiração é a imitação…”

A minha relação amor/ódio com os computadores começou aos 18 anos. Na época gramei um cadeira que se chamava “Introdução à Programação”, onde por força das circunstancias fui obrigado a aprender FortranIV, Para quem não conheceu esta linguagem, explico apenas, que as disquetes eram uma cartolina onde o infeliz que queria por exemplo escrever uma simples soma de um digito, passava uma tarde inteira a perfurar pacientemente as ditas cartolinas. Era o rudimento dos computadores e as resmas de cartolinas perfuradas ainda hoje me atormentam em sonhos.
Como era um rapazinho evoluído e já tinha trabalhado numa empresa que tinha um IBM e utilizava umas disquetes enormes de 8” e uma cartolinas A4 com banda magnética para me dizerem o que se facturava na empresa, quando me atrevi a perguntar ao professor do cadeirão de FortranIV porque é que eu estava a aprender uma linguagem que nem no 3º mundo já se utilizava, a nota máxima que me passou a dar foi um dez e só não me reprovou porque ficava mal na fotografia…
Depois passados poucos anos apareceram os primeiros computadores pessoais, os Timex, uma maravilha, ligados a um gravador para ler umas cassetes que debitavam um ruído marciano e que depois de algumas tentativas goradas pelo meio, lá nos punham a jogar uns jogos fenomenais em frente de um televisor. Apareceram também os primeiros processadores de texto e as primeiras impressoras caseiras.
E o mundo lá foi evoluindo. Eu nem sequer sabia que o Bill Gates existia. As linguagens que existiam era poucas mas quem dava as cartas era a IBM, tanto em computadores pessoais como nos empresariais. A IBM estava em todas, era nos processadores de texto, era nas folhas de cálculo, era nas impressoras era nos monitores, enfim açambarcava o mercado com o seu símbolo e ninguém se queixava de nada, especialmente a IBM, um dos actos de sucesso era ter um IBM ou ter acções da IBM.
Lá havia uns malucos que compravam outras marcas, mas debalde, batíamos sempre à mesma porta.
Nestes entretantos apareceu um tipo que arranjou um produto que chamou de MS-DOS e que corria em qualquer computador pessoal e que permitia correr outros programas, inventou ainda uns processadores de texto e uma folhita de cálculo, juntou tudo e deu-lhe o nome de Windows.
A IBM nem reparou nele, mas entretanto foi perdendo o poder, deslumbrada com a sua posição e soberba deu-se ao luxo de ignorar o mercado e de perder a noção da realidade.
Não sem antes ter feito alguns estragos, comprou a Wang Tecnologies, refundiu a empresa aproveitou os seus melhores recursos e acabou com ela pura e simplesmente…
Segundo a IBM eram as leis do mercado, para alguns (como eu) era a tentativa de continuar a dominar o mercado.
Mas os dados estavam lançados e o inexorável rolar dos tempos e da tecnologia fizeram recuar esse gigante para uma prateleira, até que…
Até que descobriu como continuar a chatear: como o custo que pagava ao Bill Gates era muito caro (as companhias de hardware como a IBM, a HP e outros fabricantes de computadores pessoais pagam à Microsoft 5 dólares USA por cada licença de Windows que colocam nos nossos desktops ou portáteis, eu pago seguramente 20 vezes mais se o quiser comprar…), arranjaram uns gajos porretas que trabalham de graça, deram-lhes os códigos fonte do UNIX e eles arranjaram um sistema operativo que a rapaziada tratou logo de distribuir.
Bem o meu primeiro contacto com o invento a que deram o nome de LINUX não foi muito cativante, uns amigos meus que o distribuíam pela módica quantia de 1,5 € (o custo da gravação de 2 CD’s) juntamente com o hardware que vendiam, traziam-lhes alguns engulhos ou eram os modems que não funcionavam ou eram as placas gráficas que pura e simplesmente se recusavam a deixar transparecer qualquer informação no ecran.
Eu com isto não quero dizer que não tivesse os meus problemas com o WINDOWS e pelas mesmas razões, na verdade quando tentei meter na mesma board uma placa de vídeo e um modem do mesmo fabricante cheguei à brilhante conclusão, depois de ter migrado do Windows 98 para o XP, que os problemas que o LINUX tinha eram exactamente iguais aos meus e a solução foi fazer como eles, trocar de placa de modem…
Mais, os meus problemas com a Microsoft vinham detrás, a minha opinião era de que estavam meteoricamente a tomar conta do mercado e a comportar-se exactamente como a IBM.
Nessa altura equacionei mudar de sistema operativo, não o fiz por falta de tempo e paciência, para além disso após umas quantas correcções o XP lá se instalou e passou a funcionar.
Não obstante ter corrigido a sua rota, face à concorrência que se tem vindo a impor, a MICROSOFT ainda tem um longo caminho a percorrer, assim como o LINUX.
Bem, esta é a minha posição como utilizador doméstico, mas o meu post é uma resposta que eu quero dar a um artigo de um Jornal que eu admiro e leio com frequência: o Bits e Bytes, de 15 de Abril e que tem um artigo de um senhor chamado Ricardo Oliveira.
Começo pelo título: “Obtenha os factos – Frio, Frio, Frio”, nada melhor que publicidade a uma marca de congelados, de vodka ou de um bom vinho, servido bem gelado, para chamar a atenção do público português, se não estivesse inserido no Jornal em questão, pensaria que se tratava de uma nova campanha de marketing da COCA-COLA para lançar uma nova bebida.
Quanto à imagem dos pinguins do LINUX a usarem o símbolo da MICROSOFT para aportarem e fazerem de trampolim, tem apenas uma leitura: até os pinguins do LINUX precisam de boleia e de descansar. Pelos vistos para sobreviverem têm que usar a MICROSOFT como bóia no mar da informática (isso fica-lhes muito mal).
Quanto ao resto do artigo perde-se em conjecturas sobre o que levaram as empresas a migrar do sistema de LINUX para uma plataforma MICROSOFT deixando algumas frases soltas e inacabadas, inserindo outras no contexto que mais lhe convém, argumentando que a falta de assistência e os custos da mesma, nas chamadas plataformas abertas não é factor determinante para que se opte por outro produto (!?!). Acaba depois o artigo a falar em TCO (Total Cost of Ownership, custo total da propriedade) e em ROI (Return of Investiment, retorno após investimento).
Enquanto se deixou deambular pela parte técnica o caso até foi bem conduzido, e eventualmente as falhas da campanha da MICROSOFT até pareciam enormes, mas não resistiu, veio bater no ponto que considerava mais fraco e enganou-se.
Aquilo que deixa transparecer é que não foram feitas contas e que se optou por uma tecnologia mais cara e com suporte mais caro.
Que não foram feitas consultas ao mercado e que não se avaliou o impacto e os custos da nova implementação, mais grave ainda que foram deixadas de fora consultas a soluções ditas “sem custos” ou de licenciamento à borla.
A primeira lição que aprendi a sério na minha vida e que me foi dada por um gestor, é que “os mercados a nível mundial têm tendência a não comprar qualidade, mas sim preço. O mercado português é então impossível de controlar porque aqui para além do preço os portugueses compram descontos…”
Mas pode ficar descansado, foram consultados parceiros que vendem plataformas LINUX e que não são tão baratas como se diz, mais ainda porque são honestos e devido às exigências que fazíamos, nos aconselharam, para não termos um mas vários produtos para fazer o mesmo que o da MICROSOFT, a optarmos pela solução que menos problemas nos traria.
Para além disso foi com agrado saber que algum desses desenvolvimentos são feitos em Portugal e por portugueses, aguardamos a sua evolução e estamos atentos à sua implementação e custos da mesma e do respectivo produto.
Perdeu ainda a oportunidade para falar do aproveitamento dos recursos do hardware, fez mal se calhar aí até teria alguns argumentos.
Pelo que depreendo das suas palavras é obviamente um elemento ligado ao LINUX, e faz muito bem em defender a sua dama.
Mas quando passa da defesa para o fanatismo e para o fundamentalismo, recordo-lhe que não estamos a falar de fé e ainda não temos santos informáticos ou se preferir informáticos santos…
Como deve calcular nos vértices dos custos que sublinha está um que tem a ver com pessoal e a formação do mesmo (esqueceu-se dele), se opta-se pela plataforma livre, ficava escravo de um contrato de manutenção ou como opção teria que recrutar e formar um novo colaborador para me dar assistência no novo produto.
Utilizo uma plataforma LINUX que tem custos e que deve conhecer: o RED HAT e todas as vezes que tenho que instalar um servidor de testes vou com a corda ao pescoço pedir ao Director Financeiro que me autorize a verba e não lhe consigo explicar como é que eu pago em dois dias, para instalar um servidor LINUX, o mesmo que pago num mês ao colaborador que me instala um servidor MICROSOFT numas horas…
Depois de consultar o meu Director de Recursos Humanos e o Director Financeiro, é com agrado que lhe transmito a minha intenção de o contratar, a custo zero claro, porque infelizmente é a verba que disponho para contratações de pessoal ou então de continuar com a plataforma MICROSOFT e a trabalhar com a “prata da casa”.
Claro que lhe deixo algum tempo para cobrar pelos autógrafos que der. Um homem, mesmo do LINUX tem que ganhar algum dinheiro para sobreviver…(esta piada deixo-lhe a si o encargo de a explicar, o seu segundo sentido morre entre nós).

sexta-feira, abril 15, 2005

"Ser português..."

“Victrix causa diis placuit, sed victa Catoni”
latim A causa vencedora agradou aos deuses, mas a vencida a Catão. Lucano, em Farsália, I, 128, alude à fidelidade de Catão a Pompeu, quando este foi derrotado por César.
Emprega-se para expressar apoio a uma causa, embora vencida.

Eu fui daqueles que leu nas sebentas da escola a história épica de Viriato e de Sertório, de pequenos nadas que elevavam a nossa débil nacionalidade. Fui habituado a ter orgulho na padeira de Aljubarrota, no sacrifício de Martim Moniz, na obscuridade de D. Fuas Roupinho. Nas Cortes de Lamego, desculpa-me Alexandre Herculano, mas parece que foram inventadas…
Nas campanhas de Mouzinho de Albuquerque, que como anti herói se suicidou, de D. Aleixo Corte-Real, que combateu os japoneses no longínquo Timor.
Ouvia falar de Gungunhana, que mesmo sendo um inimigo, o seu nome não foi riscado da história.
O desbravar de histórias fantásticas de Fernão Mendes Pinto, nas guerras nos confins do mar de Aden, em Afonso de Albuquerque, em lugares como Calecute ou Ormuz.
Nos inventos que deram outros horizontes à humanidade, no astrolábio dos decanos dos navegadores e na matemática com o Nónio de Pedro Nunes, de Gago Coutinho e de Sacadura Cabral.
O orgulho de falar nas campanhas de descobrimento da África profunda, de Hemergildo Capelo, de Roberto Ivens e Serpa Pinto.
Eu tinha orgulho em ser português e ensinavam-me onde ficava o ponto mais alto de Portugal: o monte Ramalau em Timor, os rios de Angola, de Moçambique, onde ficavam as Cataratas do Duque de Bragança, onde ficavam enterrados os desterrados, mesmo aqueles que se haviam desviado das leis dos homens, como o Zé do Telhado.
Eu gostava dos filmes que mesmo politicamente correctos ainda hoje me fazem rir.
Eu tinha orgulho nos meus escritores, nos meus poetas como Camões, nas anedotas do Bocage, nos líricos como Luísa Toddi.
Nos meus ladrões, nas minhas prostitutas, nos meus corsários, nos meus Papas e nas minhas raízes de judeu, de almorávida, de godo, de romano e de suevo ou de alano.
Eu tinha orgulho nos meus reis, nos meus heróis que me davam uma perspectiva de nacionalidade arrebatada.
Onde estás tu D. Sebastião? Onde está a Encíclica Geração, os meus trovadores, os meus navegadores que deram novas terras ao mundo?
Onde estão os que penhoravam as barbas para manter a sua palavra?
Um professor disse-me um dia que a história é sempre escrita pelos vencedores…
Nós perdemos a nossa história, onde é que perdemos a nossa guerra, em que campo sem nome é que fomos derrotados?
Mas o que mais me constrange é que metade dos nomes que eu invoco, são desconhecidos das gerações actuais e nada me leva a crer que os venham a aprender.

terça-feira, abril 05, 2005

O inferno mora aqui...(trailer)

- Muito bom dia, eu sou o cidadão nº 666…Pode-me indicar onde fica o parlamento?

- Muito bom dia cidadão 666, na base de dados que acabo de abrir, o seu número diz-me que tem tendências autoritárias, narcisistas e melómanas, para além disso, não pagou os impostos de 1984 referentes a um sítio chamado de “Inferno”, a base de dados diz ainda que os seus genes não o deixam votar também no partido único: o Partido Nacional Socialista...
Lamento muito, mas como funcionário do estado, vou ter que o mandar prender.

- É, eu sou uma Besta.

- Desculpe Mestre, eu não sabia.

- Não faz mal meu filho, continua a cumprir o teu dever, que eu recompenso-te e um dia destes, mando-te de férias para Portugal.

- Desculpe Mestre, mas prefiro que me mande para o Purgatório, não é por nada sabe, mas já me disseram que aquilo lá é um bocadinho pior que isto...

segunda-feira, abril 04, 2005

O que faz correr António Costa?

Artigo 35º da Constituição Portuguesa

1 - Todos os cidadãos têm o direito de acesso aos dados informatizados que lhe digam respeito, podendo exigir a sua rectificação e actualização, e o direito de conhecer a finalidade a que se destinam nos termos da lei.

2 - A lei define o conceito de dados pessoais, bem como as condições aplicáveis ao seu tratamento automatizado, conexão, transmissão e utilização, e garante a sua protecção, designadamente através de entidade administrativa independente.

3 - A informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa,
vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis.

4 - É proibido o acesso a dados pessoais de terceiros, salvo em casos excepcionais previstos na lei.

5 -
É proibida a atribuição de um número nacional único aos cidadãos.

6 - A todos é garantido livre acesso às redes informáticas de uso público, definindo a lei o regime aplicável aos fluxos de dados transfronteiras e as formas adequadas de protecção de dados pessoais e de outros cuja salvaguarda se justifique por razões de interesse nacional.

7 - Os dados pessoais constantes de ficheiros manuais gozam de protecção idêntica à prevista nos números anteriores, nos termos da lei.

O Governo acabou de confirmar que vai reunir todos os perfis dos cidadãos portugueses numa base de dados até ao final da legislatura, a notícia já obteve confirmação por parte do Ministro da Justiça António Costa.
O projecto anterior, previa apenas que esses perfis só incluíssem pessoas condenadas pela justiça, um conceito muito vago e abrangente como podem ver: uma multa não paga poderia estará incluir um qualquer cidadão nesta base de dados. Para além disso o nome de “perfil” é ainda mais vago.
O Governo propõe uma solução global que seria tutelada por uma comissão independente, não garante também a privacidade de ninguém.
A manipulação genética e a tentativa de controlar a humanidade através dessa faceta, teve o seu supra sumo numa figura de má memória que se chamava Hitler.
Foi continuada pelos regimes comunistas e pelos vistos quer ser aplicada neste País, as guerras tribais em África e outras que se passaram na antiga Jugoslávia, são a moeda de troca que poderão ser o culminar de limpezas étnicas e não só que poderão ser facilitadas pelo acesso a bases de dados circunscritas.
Poderão ainda ter outras implicações morais e patrimoniais, como por exemplo um filho, ou um pai descobrirem que não são parentes…
Numa conversa banal com um amigo meu, que por acaso é amigo pessoal do Sr. Ministro da Justiça, ele confidenciou-me há muitos anos atrás que estava preocupado com o controlo descarado que os cidadãos estão sujeitos, qualquer instituição bancária consegue neste momento controlar onde compram os seus clientes, onde se vestem, onde almoçam, por onde viajam, basta seguir o cartão de crédito…
Os telemóveis são outro factor de controlo, é possível neste momento saber por onde andam os cidadãos, basta localizar o número de telemóvel, num País onde existe quase um telemóvel por pessoa, essa tarefa fica mais facilitada.
O Ministro da justiça na sua passagem pela Comissão Europeia esteve no centro de uma polémica com os E.U.A. sobre o acesso deles a dados considerados confidenciais, depois calou-se. Gostaria muito que me explicasse onde param os dossiers sobre o Echelon e o Carnivore.

Sobre o Echelon:

Echelon is perhaps the most powerful intelligence gathering organization in the world. Several credible reports suggest that this global electronic communications surveillance system presents an extreme threat to the privacy of people all over the world. According to these reports, ECHELON attempts to capture staggering volumes of satellite, microwave, cellular and fiber-optic traffic, including communications to and from North America. This vast quantity of voice and data communications are then processed through sophisticated filtering technologies.
This massive surveillance system apparently operates with little oversight. Moreover, the agencies that purportedly run ECHELON have provided few details as to the legal guidelines for the project. Because of this, there is no way of knowing if ECHELON is being used illegally to spy on private citizens.
This site is designed to encourage public discussion of this potential threat to civil liberties, and to urge the governments of the world to protect our rights.

Para quem não sabe o que é o Carnivore ficam estas linhas:

“You may have heard about Carnivore, a controversial program developed by the U.S. Federal Bureau of Investigation (FBI) to give the agency access to the online/e-mail activities of suspected criminals. For many, it is eerily reminiscent of George Orwell's book "1984".
Although Carnivore was abandoned by the FBI in favor of commercially available eavesdropping software by January 2005, the program that once promised to renew the FBI's specific influence in the world of computer-communications monitoring is nonetheless intriguing in its structure and application.”

A minha insistência no assunto deve-se apenas ao facto, talvez banal para alguns, de uma imposição irreversível e que colide com a liberdades de todos os cidadãos.
Ainda não vi nenhum sinal de revolta ou de desconforto nesta sociedade adormecida e a nossa comunicação social, tirando honrosas excepções, ainda nem sequer deu conta do que se prepara com esta medida anunciada…

"BIG BROTHER IS WATCHING YOU..."

Está na hora de acordarmos.
Segundo as últimas notícias o governo prepara-se para elaborar a nível nacional um banco de código genético.
A despreocupação banal com que nos brindam com esta informação, sem o mínimo de consistência, deixa-me assaz preocupado. Ainda não vi ninguém, nem a querida “oposição” a fazer as devidas perguntas para o que se está a preparar.
A maneira subtil e escondida com que nos querem impor uma nova maneira de controlo é demasiado grave para ter passado despercebida. A questão do aborto ou mesmo da Constituição Europeia, são bem mais simples de se referendarem do que aquilo que o governo com esta medida nos quer impor.
Qualquer “estúpido” sabe que se houver alguém com acesso a um banco de código genético, poderá manipular várias informações que vão contra o mais essencial das liberdades e garantias pessoais e consagrado na nossa Constituição, ainda em vigor.
Não vi aqui nenhum dos nossos pretensos, pseudo e iluminados constitucionalistas a fazer qualquer comentário.
A maneira irreflectida e irresponsável deste governo de anunciar a criação de um banco de dados genético serve os interesses de quem?
Eu vou apenas pegar no exemplo da Islândia.
Devido à particularidade do país, que só tem 280.000 de nacionais e sendo uma ilha isolada, o código genético é bastante restrito. As pressões por parte de um médico, dono de uma companhia que se dedica exclusivamente ao controle e angariação das bases de dados genéticos dos islandeses, levaram a que o parlamento desse simpático País e teoricamente uma avançada democracia, lhe desse o direito durante 12 anos de ter em exclusivo o acesso e a criação dessa base de dados. Conseguiu ainda mais, por ordem desse mesmo parlamento, que todos médicos lhe fornecessem os boletins clínicos de todos doentes da Islândia…
Já começam a ver aqui os meus temores.
Para agravar mais a situação, não há lei nenhuma que impeça essa companhia de vender os dados que não lhe pertencem a terceiros, e sabem os meus amigos quem são os seus clientes: as companhias de seguros que operam nesse insular País.
Quando confrontado sobre a ética desse problema, o dono da companhia deu uma resposta muito em voga:
“Eu não posso falar se é ético ou não vender o acesso a essa base de dados, já que não fui eu que dei autorização para fazê-lo…”
A resposta é definitivamente obra da escola de políticos que tomaram de assalto Portugal, em absoluto, este senhor tem raízes na política portuguesa ou teve lições pagas de políticos portugueses.
Para finalizar, e para constatarmos da falta de transparência deste banco de dados, perguntaram ao dono da companhia se os dados estavam a salvo de pirataria:
“Como sabem qualquer base de dados pode ser roubada. Não, não garanto que não possa ser roubada…”
Tirem as ilações que quiserem, mas acho que devemos perguntar ao Engº Sócrates que futuro é que ele nos está a reservar…
A história do cartão único e da base de dados genética interessa a que obscuros poderes?
Caríssimos continuo a insistir, tirem o pó aos livrinhos do George Orwell…

domingo, março 20, 2005

Kings Of Convenience: "I'd Rather Dance With You"

"Pedimos desculpa pelo incomodo a emissão segue dentro de momentos."
Descobri com pena que os senhores que me disponibilizaram o video e a música dos Kings Of Convenience, por motivos técnicos, já não o fazem...
Pedi aos Kings para linkar a página deles à minha.
Aguardo autorização.

Sex♂ vs Sex♀

A manhã de domingo corria lesta, o dia luminoso entrava pela janela da sala. O Pai, indolente, lia sem atenção as letras gordas do jornal, que tinha acabado de comprar no quiosque, depois do café tomado no balcão da esquina.
A Mãe qual formiga atarefada, já tinha enviado os miúdos para o banho, feito as camas, arrumado a cozinha, passado um pente no cabelo, rápido e seguro.
A hora do almoço aproximava-se, o barulho dos tachos e das panelas ecoava renitente na cozinha, entre os risos das crianças que depois do banho se esgueiraram para tomar o pequeno almoço.
De repente, olhos brilhantes, cara de safado, ar compenetrado de cima dos seus cinco anos de sabedoria ingénua, feitos à pouco tempo, o mais novo, olhando a mãe nos olhos rematou:
"- Mãe vamos ter que te comprar uma pilinha..."
As sobrancelhas interrogativas, que encimavam os olhos sem maquilhagem e cansados da Mãe, levaram uma resposta inesperada:
"-Só tu é que trabalhas nesta casa..."

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Toda a verdade.

Para quem quer saber como é que os nossos políticos vão governar este País, aconselho vivamente que leiam o que escreveu o Dr. Medina Carreira sobre toda a problemática que "eles", os políticos, nunca tiveram coragem de nos contar em: A Verdade Não Mora Aqui. Deveriam depois, ver a entrevista que ele deu na SIC Notícias, para explicar tintim por tintim o que pensa da classe que nos tem (des)governado nestes últimos anos e o imbróglio sem saída para onde nos querem levar. Deu para rir, mas as perguntas que ele deixa em aberto e que ninguém ainda teve coragem de responder, vão fazer-nos chorar por muitos e bons anos...
E se alguém tinha dúvidas sobre o papel da comunicação social nesta trabalhada, as acusações do Dr. Medina Carreira foram peremptórias, a dado trecho acusou a comunicação social da (ir)responsabilidade nesta confusão toda, pela sua falta de coerência e pelo seu espírito em transformar tudo e todos em banalidades. Deixou no ar uma acusação bem mais grave a de que, de certa forma, a comunicação social não é isenta nem objectiva, está como os nossos políticos: um autentico campo de batalha sem ideias e sempre com o espírito febril das audiências ou apenas para dar continuidade a interesses bem mais obscuros.
O Dr. Medina Carreira não se limitou a atacar as ideias, atacou os homens e efectivamente, os que ele atacou, à direita e à esquerda deveriam ser responsabilizados pelo que vai neste País.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Arquivo vivo.

Nada como ter princípios.
Mesmo não concordando com ele, defende aquilo em que acredita, para além disso ao intitular-se politicamente incorrecto é o suficiente para estar nos que eu leio:
Portugal Global.

Equações.

Gostava que as minhas asas abertas me levassem daqui, me transportassem para um longínquo paraíso onde pudesse esquecer os indubitáveis resquícios de uma crispação recente.
Querer é puder ou é poder?
Dúvida cartesiana misturada com a sensação atroz de uma perplexidade insensata e fugaz.
Redemoinhos de apreensões passadas e futuras que me limitam e limam os meus horizontes.
As minhas asas, teimosamente, não se abrem, as batidas fracas e leves fazem apenas bocejar as penas que nem sequer me ajudam a planar.
O infinito antes sem fim, esconde-se num canto de patamares e escadas que eu percorro.
O meu esbracejar inútil, leva-me mais uma vez a um labirinto de nefastas e fúteis emoções que transpiram medo e tédio.
Estamos naqueles dias em que cada passo é igual a uma milha percorrida em sofrimento, cada metro ganho, leva horas de lassidão e a tétricas equações de nada.
As fórmulas que tanto se apregoam por aqui, neste vácuo, não têm qualquer sentido, porque mais uma vez, sem sofismas, acordamos e enfrentamos amargas realidades.
Algures neste universo está o metódico cálculo que me libertará destas amarras, o problema dizem os sábios: é apenas possível no limiar de duas rectas que se encontram, algures...por aí, nos confins deste universo.
Porque será que nunca gostei de Schrodinger?!
Posted by Hello

sábado, fevereiro 12, 2005

Carnaval


Tinha decidido que este ano ia fazer um retiro descansado, as férias do Carnaval iam servir para retemperar forças.
Depois de uns mergulhos na piscina, e de um pequeno almoço aconchegante, meti os pés ao asfalto para fazer um périplo pela natureza daquela pacata aldeia algarvia.
Eis senão quando, malfada política, dou comigo diante do choque tecnológico prometido pelo Engº. Sócrates, os brilhantes CD's que ele tanto brandiu no seu comício, serviam agora de espantalho no meio de um campo cultivado, este povo na sua infinita sabedoria tinha dado boa conta do recado e a mensagem transmitida, deixa-me com esperanças de que afinal os choques prometidos tenham no final alguma utilidade.
Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Judite de Sousa entrevista o próximo candidato a Presidente dos E.U.A.!

Há coisas que não suporto e uma delas é a mentira: e o Engº Sócrates é mentiroso.
Passo a explicar, a revolução que ele tão entusiasticamente grita que nos quer dar, afinal baseia-se em verbas que vão ser disponibilizadas pela nossa Comunidade. Portanto apenas vai dar aquilo que este Governo ainda em exercício conseguiu, na verdade tive a oportunidade de me darem essa informação em Setembro de 2004, em primeira mão, que o esforço do Governo presidido pelo Dr. Santana Lopes tinha apostado na canalização dessas verbas para a implementação em vários sectores de uma modernização tecnológica, mas com a seguinte contingência, essas verbas só estariam disponíveis a partir de 2006/2007 e efectivamente teriam que ser aplicadas em informatização, implementação e automatização de serviços e procedimentos.
A entrevista que deu à Judite de Sousa ainda ecoa nos meus ouvidos e nalguns quantos portugueses.
Portanto o Engº Sócrates para além de andar a prometer choques tecnológicos com o dinheiro que os outros negociaram, ainda por cima não sabe quando ele começa cá a chegar.
É um fala-barato no verdadeiro sentido da palavra e falacioso: diz que pede uma maioria porque não suporta a ideia de que desde 2000 este País já teve 3 governos. Deve portanto ter má memória e ter-se esquecido que foi um dos que abandonou o barco quando gastou aquilo que os outros andaram a poupar.
Que o crescimento no tempo do saudoso Engº. Guterres era mais de 3%?!?(ahahahhahahha....)
Quem lhe escreve as piadas?!?
As Produções Fictícias? O pessoal do Gato Fedorento?!?
O Sr. Engº tem a certeza que se está a candidatar a 1º Ministro?
E é mesmo de Portugal?
Tem a certeza que não está a concorrer à presidência dos E.U.A.?
Tem mesmo a certeza que não se enganou no País?
Sinceramente, é que para além de mentiroso, tem lapsos de memória e nem sabe o que fez há menos de 4 anos, portanto, quer mesmo candidatar-se a quê?!? Choques quê?!?
Falta um pequeno detalhe, não suporto cobardes: não gosto de boatos, mas se era boato porque é que o Dr. José de Magalhães começou a defendê-lo, em seguida o Jorge Coelho, depois o Herman, a seguir o seu antigo patrão e 1º Ministro, o Engº. Guterres?
Ninguém mais do que eu acha que há aspectos da vida pessoal só dizem respeito à própria pessoa, mas não exagere, porque como já referi anteriormente, do Santana, sabemos que aquilo que vem no dito boato é verdade, ele nunca o desmentiu, mas ao contrário da sua equipa de correligionários deu-lhe a importância devida e reduziu aquilo o que o boato diz, apenas a mais um banal…boato.

P.S: Pode continuar a fazer-me rir, mas por favor mude o sorriso e varie as piadas de vez em quando, e pode continuar a contar mentiras, a fada madrinha agradece...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Imagens chocantes...Com bolinha encarnada.

Acabei a consulta ao Sapo, à zona da blogosfera e para meu espanto descubro uma mensagem atroz que me vai perseguir durante os próximos tempos: “Santana Lopes - Brevemente num blog perto de si”.
Para desanuviar um bocado, deste cataclismo que me Deus na sua serena omnipresença me enviava para mais uma vez me redimir dos meus pecados ao submeter-me a estás difíceis provações, decidi ir passear pelas docas domingueiras e vazias.
Dei meia volta e pensei seriamente passar o resto dos meus dias escondido, a cara risonha do Paulo Portas, com uma bola encarnada, enorme, no nariz, dava-me a imagem deste País nos próximos tempos: um autêntico Circo Cardinall. Juro que depois desta nunca mais vou conseguir entrar num.
Não vi as imagens do Santana, do Louça ou do Sócrates com os mesmos apêndices, dou os meus parabéns aos correligionários do Jerónimo, a contra-publicidade marca pontos.
Reparam no Guterres, continua com o tique de compor o cabelo quando está a mentir, o departamento de imagem do Sócrates errou, devia ter mandado o Guterres ao “baeta” ou então ter-lhe colado as mãos aos bolsos com cola tudo, pelo menos mentia, mas com mais convicção e nós nem reparavamos.

Choques?!?

Mantenho a minha crença que a revolução neste País passa essencialmente por um acto de coragem político.
O DN Negócios de hoje, dia 24 de Janeiro: “Construtores querem pacto de regime para obras públicas”, ao analisar a extensa entrevista que o Presidente da AECOPS dá, as medidas que o sector propõe, farão corar os mais desavergonhados.
Esquecem-se do essencial, o estado não é o guarda-chuva do sector, o estado tem ou não tem capacidade para se endividar. Se em Espanha a 5ª construtora espanhola, tem o volume das 15 maiores empresas de construção deste País, alguma coisa vai mal, a desculpa de que os espanhóis não passaram pelo PREC em 74/75, é confrangedora, passaram 30 anos, não tiveram tempo de recuperar? Então e os outros sectores?
Continuamos mal habituados, um sector onde o cumprimento de prazos e os valores finais das obras custam sempre mais do que aquilo por que são adjudicadas (especialmente no sector público), demonstram bem a falta de capacidade do mesmo. Quanto ao amarrar os governos que por aí vêm ao lançamento de obras para o qual não têm capacidade financeira, não será bem pior do que não as fazer? Claro que depois vêm dizer que o estado é mau pagador, mas isso já não é um problema do sector, já é um problema das Pescas e do sector da Restauração: a célebre pescadinha de rabo na boca.
Não vou sequer fazer uma avaliação profunda do que o sector tem como prioridades, limito-me a enumerar algumas, para no final fazer só umas simples perguntas:
- Aeroporto, construção do novo aeroporto de Lisboa.
- Ferrovia, aposta estratégica na ferrovia.
- Água, captação e distribuição.
- SCUT, definição do quadro do financiamento, execução e exploração, especialmente das SCUT.
- Barragens, reanálise do plano de barragens especialmente do Sabor e de Foz Côa (sem gravuras).
- Rendas, publicação da nova lei do arrendamento.
- Etc., etc., e etc.
Como podem ver, os senhores das construtoras querem fazer deste País um autêntico estaleiro, mas será que não será melhor ir chamar aquela empresa espanhola, a 5ª que tem mais poder do que as 15 maiores portuguesas, para fazer as obras? Duvido que as nossas tenham capacidade para cumprir os prazos e a tarefa hercúlea de fazer tanto em tão pouco tempo, ou esperam com isto ter trabalho por 30 anos ou mais? Já agora, quando é que começam por cumprir prazos e orçamentos? Não seria mais honesto começar por aí?
Aproveito apenas para fazer a seguinte reflexão e fazer as seguintes sugestões aos políticos que querem governar este País.
Em primeiro lugar sejam honestos, se efectivamente a recuperação deste País passa pelo aumento dos impostos, comecem, aqui sim pelo do utilizador pagador e não me refiro às SCUT, mas sim ao IVA, por exemplo no sector hoteleiro e de restauração. Neste sector instituiu-se de que paga menos IVA porque “assim ainda vão pagando alguma coisa”. Tempos houve em que com a desculpa de que os impostos desse IVA iam aumentar no sector, os restaurantes e afins trataram logo de aumentar os preços que cobravam aos seus clientes, depois houve um recuo do governo e baixou de novo os impostos, por incrível que pareça, não vi nenhum restaurante a baixar os preços das refeições, com a desculpa que o governo ia baixar dos impostos…
O que proponho é tão simples como isto, obrigar esse sector a pagá-los, e ao contrário do que dizem é bem mais simples do que parece, basta apenas que eu como consumidor possa descontar no meu IRS o que gasto em almoços. Atribuir dentro do sector um código de barras, que será obrigatório nas facturas que cada empresário ou restaurante emitir, verificação por parte do estado entre as facturas que entram no nosso IRS e as que efectivamente são declaradas. Se o simples cidadão poder descontar aquilo que consome, irá sempre pedir factura e obrigará os empresários do sector a deixar de comprar carnes, vegetais e outros produtos de origem duvidosa. Com esta simples medida, o estado, poderá conseguir implementar regras de concorrência tanto a montante como a jusante, claro que obrigará o sistema fiscal a estar mais atento e a verificar se aquilo que alguns empresários estão ou não a pagar corresponde efectivamente à verdade e conserguir-se-ia não só cobrar o IVA correcto, como o IRC de empresas que passam a vida a dizer que têm prejuízos.
Aqui sim, teríamos o chamado “choque tecnológico” e o “choque de gestão” que os nossos queridos políticos tanto apregoam.
É preciso ser-se corajoso, mas para além disso é preciso ser-se “idiota” (pessoa com ideias), mas pelos vistos é a única coisa que ainda não conseguiram ou não quiseram ser estes senhores que se arrogam no direito de nos governar…
Depois devem também perguntar ao sector bancário e das seguradoras, se começam também a pagar os deles, num País onde a banca e o sector dos seguros, apresenta rendimentos superiores a 30%, onde estão os impostos cobrados proporcionalmente aos lucros apresentados?
Afinal, quem é que manda neste País? Afinal quem é que paga impostos?
Poderia estar o dia inteiro a dissertar sobre vários temas, mas vou falar de um que incomoda muita gente e que mesmo com a paixão guterrista da educação, nunca ninguém aflorou. Eu sei que as editoras de livros têm que sobreviver, mas não acham que de uma vez por todas o estado devia intervir no sector para que os livros que os nossos filhos têm que comprar não mudem todos os anos? Será que a ciência evolui tanto de ano para ano, que as matérias que eles aprendem tenham que mudar todos os anos lectivos? Ou somos um País tão rico que podemos gastar os parcos recursos naturais a imprimir folhas e folhas de manuais que no ano seguinte vão simplesmente para o lixo? Já fizeram contas de quanto poupavam ao País e aos pais?
Quando é que apresentam um orçamento que nos explique para onde vai o nosso dinheiro?
O que me conseguir responder às minhas perguntas terá certamente o meu voto, eu sei que é apenas um, mas não se esqueçam, como eu há neste momento milhares de portugueses a fazer as mesmas perguntas e à espera de respostas.
Até quando?

domingo, janeiro 23, 2005

Um buraco com futuro, ou crónica de um futuro com buraco(s)...

Isto vai de mal a pior, para além de invadirem o nosso espaço com os seus blogs, apanho com um comício onde o Sócrates (não confundir com o filósofo), de CD na mão, gritava desalmado que tinha encontrado a chave para a nossa felicidade. Espero que não seja o novo álbum do Marco Paulo. Eu sei que é apenas mera coincidência o Paulo (o cantor, não o político), lançar agora um. Mas fiquei assustado, especialmente quando alguém que não deve perceber nada da poda (é mesmo da poda, ainda pronuncio bem os “pês”), me diz que aquele objecto, redondo como um donut, espalmado, brilhante e prateado, com um buraco no meio, me vai abrir as portas do meu futuro tecnológico.
O problema não era o objecto propriamente em si, era o buraco…
As ilações impertinentes, que podem advir desse malfado e inócuo vazio (o buraco), são por demais evidentes, para além disso eu pensava que o especialista em buracos era o Santana, não supunha que havia outro com tanta vontade em imitá-lo.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

O LADO ROSA DA INTERNET

Leio atentamente às sextas-feiras a coluna do José de Magalhães, tem um título giro: Ciberscópio.pt.
Normalmente, e sublinho normalmente, tirando uns elogios fastidiosos de algumas intervenções e propostas que o PS fez e faz, tinha o condão de se manter numa situação de impoluta imparcialidade.
Hoje, não gostei. O seu espaço foi invadido por uma série de indefectíveis defesas do que ele considera o lado do bem e do futuro risonho da Net, sem revoluções e sem boatos, contrapondo este com “o lado negro da Net”.
A dada altura, dentro do mesmo quadro diz efectivamente que o voto dos eleitores nunca será refém ou sequer condicionado pelos boatos que neste momento circulam pela dita via de comunicação e que a resposta será dada “nas próximas semanas por milhões de eleitores”, também o creio, apenas neste ponto estamos de acordo.
Mas é preocupante e esclarecedor: se o PS perder as eleições será porque alguns puseram a circular um boato, que denigra o bom nome de alguém.
O Engº. Sócrates, porque é dele que o José Magalhães fala e não tem coragem de o escrever, só tem um caminho, ou se deixa ficar no seu cantinho sem ligar aos ditos boatos, ou assume publicamente que afinal o boato não o é. Eu sei que é mais fácil depois para o PS escudar-se numa qualquer cabala política, esquecendo esse, que o mesmo através do Dr. Candal, e nas mesmas circunstâncias, veio a terreiro atacar o Dr. Paulo Portas pelas suas “convicções”.
Na altura não vi o PS preocupado com esse facto, nem sequer se o bom nome do Dr. Paulo Portas ficava desde logo colado a uma qualquer “convicção”, ou se alguém o negou ou mesmo se o Dr. Paulo Portas o fez.
Esquece-se que não é só o Engº Sócrates que é atacado, o Dr. Santana Lopes também, espero que a defesa seja para os dois, porque lendo atentamente o que escreveu, só defende um, pelos vistos apenas a honra do primeiro está em causa, e isso é moralmente condenável.
Acho que o padrão que nos quer impingir e a calamidade que apregoa sobre o que aconteceria se um “órgão comunicacional social” se atrevesse a publicar o tal boato: “Se o fizesse, incorreria, aliás em responsabilidade criminal e civil, e não teria sequer o proveito de destruir o alvo do boato difamatório”, é insensato e rebuscado. O Engº José Sócrates e o Dr. Santana Lopes, são crescidinhos o suficiente para se saberem defender.
Ficam então as perguntas:
O Dr. Candal, do seu PS, foi alguma vez processado pelo Dr. Paulo Portas?
Sabe tão bem como eu que os jornalistas portugueses, clientes habituais da classe política e cuja moralidade até o José Magalhães põe muitas vezes em causa, nunca o fariam, portanto está a deixar um aviso a quem?
Quanto aquilo que você chama de “guerra política difamatória”, não o é também usado pelos seus pares (lembra-se certamente das acusações que o Dr. João Soares fez ao Dr. Santana Lopes na campanha pela edilidade alfacinha)?
No PS passou só a haver “virgens”, “beatos” e “heterossexuais”?
E por fim a pergunta que todos os portugueses gostariam de ver respondida: afinal é boato ou é notícia? (E poupo-lhe o trabalho de responder pelo Santana, aquilo que vem no boato, não é boato, nós sabemos que é tudo verdade, ele nunca o escondeu…)

P.S. (Post Scriptum): Primeiro, serve o presente para que o PS, com que acabo alguns dos meus post se identifique como sendo a abreviatura do latim da transcrição que coloco entre comas, para que não se confunda com a abreviatura de um partido político (quem leu os meus post anteriores sabem do que eu falo e para quem falo). Segundo o Dr. José de Magalhães escreve todas a sextas-feiras no suplemento do 24 Horas, o Bits & Bytes, uma coluna chamada Ciberscópio.pt, fiz um trocadilho com o título dessa coluna que se intitula: “O lado negro da Internet”, deixo ainda um parêntesis, é sempre obrigatório ler para quem se interessa pelo bem da comunidade bloguista (ou blogueira como quiserem).

Parem, olhem e bloguem...

O prometido é devido, a Manecas vai ficar disponível com um simples clicar no meu, diz que é uma moçoila inconsciente e tem devaneios… (Não liguem é do Porto). Mas vão até lá, merece a pena (não, não é ao Porto é ao blog).
O outro é o
Gato Fedorento, tresanda que se farta, mas uma pessoa tem que divulgar a contracultura também, aprendemos isso com um ministro e os bons exemplos são para seguir (a arte do contraditório fez escola). Depois aproveitem e façam um pequeno esforço e dêem uma vista de olhos a um longínquo blog lá para o Kazaquistão: Timoshka does Kaz!, vodka, frio, vodka, e muitas, muitas fotos (parece a 24 Julho nesta altura do ano).
Porque estou sempre à espera que uma (just a bad girl) apareça por aí a chatear, informo que adoptei o título deste post, de um sinal que a CP ainda mantém na Linha do Douro, com os seguintes dizeres: “Pare, olhe e escute” (a ordem não interessa). Os direitos de autor são da CP, ficando aqui ressalvada a patente de tão emblemática frase.
Blogo eu, blogas tu, blogamos nós…

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Passo a publicidade...

Mais uma vez me arrependo do que digo, do desiderato anterior fica-me a sensação amarga que devia ter receitado, àquela senhora a (just bad girl), uma ida até ao blog do Xupa Nu Pipi, deve andar mesmo a precisar…
Aproveito para o colocar nos meus links, para facilitar os tratamentos de choque que vou passar a receitar.

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